Zero Dark Thirty

 

Igual a Les Miserables também cheguei a acreditar que este também poderia ser um filme melhor do que The Hurt Locker, o anterior trabalho da realizadora, mas também igual a Les Miserables uma desilusão, passando de quase inevitável vencedor para nomeado que só se comenta pela polémica, em torno do Bin Laden e a nível de criticas também parecido com Les Miserables, alguns adoram outros odeiam, mas no geral com a balança mais equilibrada que Les Miserables, mesmo que caía para o odiar e para críticas negativas. No meu caso não posso dizer que odiei, mas não gostei.

 

Zero Dark Thirty é o filme do Bin Laden, ou pelo menos foi nessa premissa que foi vendido comercialmente, também por isso o considerava, e acredito que a maioria também o consideraria, o grande candidato aos óscares, afinal um filme falando da captura do homem mais procurado do mundo, a academia já deu óscares sobre filmes patriotas por muito menos que isso, incluindo The Hurt Locker. O que é engraçado é que a uma semana dos óscares, nem Bin Laden nem Lincoln, apesar de que ainda irá ficar com o filme patriota Argo, que logo comentarei daqui a alguns dias.

 

Apesar de ser vendido como o filme do Bin Laden, a história em si passa bem longe disso, o que traz tanto defeitos como virtudes, a grande virtude é sem dúvida toda a cena final, tanto o ataque como o final do filme em si, 40 minutos finais quase perfeitos, os defeitos são as outras duas horas. O filme é acima de tudo sobre a história de uma oficial americana obcecada pelo Bin Laden, tecnicamente falando tem muito material para funcionar, só olhar a primeira temporada da série Homeland, que tem uma premissa parecida.

 

O problema é que a realizadora não tenta fazer isso de forma gradual, e provavelmente o facto de ser um filme e não uma série não ajuda. Por causa da realizadora ser uma mulher e a protagonista também, o que mais fica assinalado durante praticamente todo o filme é um feminismo exagerado, onde se preocupam apenas em mostrar uma mulher no poder e não em faze-lo realmente convincente, quase que parece que é dito “somos mulheres então não é preciso criar algo coerente, só por sermos já cria essa ligação por si próprio e quem criticar é machista”.

 

Além disso, é um filme de um único momento, o real interesse de quem vai assistir Zero Dark Thirty é a morte do Bin Laden, o que torna a duração longa do filme ainda mais evidente, quase como o espectador querendo passar logo para a parte que importa, e aí falha provavelmente a maneira como o filme foi vendido comercialmente, eles tentaram esconder o papel da protagonista, isso é dito claramente pela actriz numa entrevista, mesmo que ela tenha dito isso pelo facto de querer parecer badass já que antes de saber-se o papel dela pensava-se que seria apenas a namorada de algum americano importante.

 

Quando se vai ver o filme não se está preparado para um filme sobre um personagem, está-se preparado sim para um filme sobre o Bin Laden, de certa forma isso não deveria ser critica ao filme, mas é o que disse acima não é só o facto de o filme ter sido vendido como uma coisa e afinal ser outra. O problema é que essa coisa que saiu também não foi trabalhada da menor maneira, à excepção da cena final, que aí sim, numa cena praticamente sem falas, passa completamente a emoção da cena. Já tudo o resto, mesmo com a longa duração do filme, parece apressado e pouco trabalhado, o que volto ao tema que disse acima da premissa da história funcionar melhor como série do que como filme.

 

Por essa parte final o filme acaba não sendo o desastre do ano, mesmo assim teve várias escolhas bem duvidosas de roteiro, que praticamente só agradaram aos americanos patriotas, que gostam de tudo o que tem a haver com homenagear-se a si próprios e aumentar o ego. Filme claramente afastado da corrida aos óscares, a não ser que aja uma grande surpresa e a princípio deve sair de lá de mãos vazias no que diz respeito aos principais prémios.

 

Nota: 7.5

 

Link: IMDB

publicado por Dark-Fenix às 23:06